segunda-feira, 10 de setembro de 2012

O FUTURO DO PT



Engabelado pelo escândalo do mensalão, o PT patina em quase todas as cidades onde disputa eleições no atual pleito.

Cidades importantes como Fortaleza, Recife, Belo Horizonte, Porto Alegre e São Paulo dão o tom do grau de dificuldade enfrentado pelo partido diante da difícil conjuntura, jamais vivenciada pela sigla.

Em Natal não é diferente, o deputado Fernando Mineiro (um dos poucos petistas de cara e ficha limpa), consegue tirar forças do improvável, literalmente carregando nas costas uma campanha que não empolga nem o que restou da militância.

Militância????

Parece brincadeira mas, até militância, atualmente o PT tem de pagar, caso contrário não sai na rua.

Alguém por acaso viu alguma movimentação da "militância" petista, aqui mesmo em Mipibu, nesta eleição? 

O PT de Mipibu sofre da mesma doença do PT nacional.

Perdeu o que tinha de mais importante na sua essência.

Deixou de representar os trabalhadores. 

Basta lembrar as greves dos trabalhadores da educação municipal durante o atual governo. 

Em nenhum momento o partido esteve ao lado dos educadores mipibuenses, encurralado pelo fisiologismo de um mísero cargo comissionado.

Em nível nacional, se alguém duvida, dê uma olhada nos telejornais e observe quantas categorias de trabalhadores estão em greve atualmente. 

A explicação pra tudo isso pode ser mais ou menos compreendida ao lermos o texto abaixo.

Um verdadeiro chute no saco para quem, como eu e muitos outros, expontanemente lutou durante décadas por uma causa, infelizmente desvirtuada pelo espírito pelego da grande maioria dos atuais líderes do partido.

Lamentável.

Amauri Freire



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O FUTURO DO PT



O PT nasceu de cesariana. O pai foi o movimento sindical, e a mãe, a Igreja Católica, através das Comunidades Eclesiais de Base.

Os orgulhosos padrinhos foram, primeiro, o general Golbery do Couto e Silva, que viu dar certo seu projeto de dividir a oposição brasileira.

Da árvore frondosa do MDB nasceram o PMDB, o PDT, o PTB e o PT. Foi um dos únicos projetos bem-sucedidos do desastrado estrategista que foi o general Golbery.

Outros orgulhosos padrinhos foram os intelectuais, basicamente paulistas e cariocas, felizes de poder participar do crescimento de um partido puro, nascido na mais nobre das classes sociais, segundo eles: o proletariado.

O PT cresceu como criança mimada, manhosa, voluntariosa e birrenta. Não gostava do capitalismo, preferia o socialismo. Era revolucionário. Dizia que não queria chegar ao poder, mas denunciar os erros das elites brasileiras.

O PT lançava e elegia candidatos, mas não “dançava conforme a música”. Não fazia acordos, não participava de coalizões, não gostava de alianças. Era uma gente pura, ética, que não se misturava com picaretas.

O PT entrou na juventude como muitos outros jovens: mimado, chato e brigando com o mundo adulto.

Mas nos estados, o partido começava a ganhar prefeituras e governos, fruto de alianças, conversas e conchavos. E assim os petistas passaram a se relacionar com empresários, empreiteiros, banqueiros.

Tudo muito chique, conforme o figurino.

E em 2002 o PT ingressou finalmente na maioridade. Ganhou a presidência da República. Para isso, teve que se livrar de antigos companheiros, amizades problemáticas. Teve que abrir mão de convicções, amigos de fé, irmãos camaradas.

A primeira desilusão se deu entre intelectuais. Gente da mais alta estirpe, como Francisco de Oliveira, Leandro Konder e Carlos Nelson Coutinho se afastou do partido, seguida de um grupo liderado por Plínio de Arruda Sampaio Júnior.

Em seguida, foi a vez da esquerda. A expulsão de Heloísa Helena em 2004 levou junto Luciana Genro e Chico Alencar, entre outros, que fundaram o PSOL.

Os militantes ligados à Igreja Católica também começaram a se afastar, primeiro aqueles ligados ao deputado Chico Alencar, em seguida Frei Betto.

E agora, bem mais recentemente, o senador Flavio Arns, de fortíssimas ligações familiares com a Igreja Católica.

Os ambientalistas, por sua vez, começam a se retirar a partir do desligamento da senadora Marina Silva do partido.

Afinal, quem do grupo fundador ficará no PT?

Os sindicalistas.

Por isso é que se diz que o PT está cada vez mais parecido com o velho PTB de antes de 64.

Controlado pelos pelegos, todos aboletados nos ministérios, nas diretorias e nos conselhos das estatais, sempre nas proximidades do presidente da República.

Recebendo polpudos salários, mantendo relações delicadas com o empresariado.

Cavando benefícios para os seus.

Aliando-se ao coronelismo mais arcaico, o novo PT não vai desaparecer, porque está fortemente enraizado na administração pública dos estados e municípios. Além do governo federal, naturalmente.

É o triunfo da pelegada.


Lúcia Hipólito
A política trocada em miúdos

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